O marketing está tão difuso nos dias de hoje, que as vezes fica difícil saber se foi uma coincidência, ou se houve um planejamento sobre ele. Um exemplo bastante recente surgiu de um episódio que seria corriqueiro não fossem os participantes. De um lado da mesa um renomado professor de história da Universidade de Campinas, SP. Do outro lado, dois juízes federais de varas de Curitiba, PR. Até aqui, nada demais. Quando chegamos no nome dos envolvidos, tudo muda. O primeiro, Leandro Karnal, conhecido por opiniões críticas aos movimentos políticos de direita e às medidas do atual governo. O segundo personagem atende pela alcunha de Sérgio Moro e sua fama atual é de estar alinhado com um plano para a criminalização total da esquerda brasileira. O terceiro personagem é o juiz Leandro Furlan, um defensor do juiz Moro e acusado de também colaborar para a desestabilização do governo petista no executivo nacional. Certamente não só os lados da mesa oporiam estas pessoas.

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Não é de admirar, portanto, que a imagem e o texto ao lado, postado no Facebook pelo próprio Leandro Karnal provocasse uma grande comoção em diversas pessoas pelo Brasil, acostumados a ver na oposição ideológica um impeditivo para o contato amistoso entre estes personagens.

Na maioria das situações é bastante difícil prever o desdobramento que qualquer postagem de uma pessoa ou instituição terá. Este não chega a ser o caso. Não se pode também chamar nenhum dos envolvidos de ingênuo, tão pouco de imbecil. Portanto é perfeitamente admissível entender que todos presentes tinham ideia de qual seria a repercussão deste acontecimento. O que nos leva a pergunta crucial: por que?

A resposta de cada um de nós depende do quanto acredita na capacidade de desenvolvimento de uma ação de marketing aparentemente desconexa do objetivo de exaltação daquilo que se busca ofertar. Recapitulando: pelo menos dois dos envolvidos são notórios por trafegarem em lados opostos da atual crise política brasileira, ao ponto de ambos serem citados dessa forma em um vídeo de denuncia cômica das mudanças no sistema previdenciário público brasileiro, um aos 33s. e outro aos 1min.26s. E agora apresentamos o fato que conecta toda a especulação das razões em torno do acontecido. Karnal e Moro fazem parte do corpo docente de um curso de pós graduação em finanças da PUCSP, o qual foi lançado, ou relançado cerca de 2 dias depois da publicação da polêmica imagem, durante o fervor maior da discussão em torno do acontecimento.

Partindo do pressuposto de que o advento deste curso explique o encontro e a divulgação do mesmo, surge um novo por quê. Este diz respeito às intenções dos responsáveis pela divulgação do curso. As criticas dirigidas ao acontecimento e seus envolvidos não seriam prejudiciais a imagem do curso em questão? A verdade é que isto pouco importa em termos de publicidade atualmente. Vivemos uma época em que agradar a todos é receita de fracasso. Igualmente, ser odiado é garantia de notoriedade, infinitamente mais do que ser amado. Para completar, o jargão “fale mal, mas fale de mim” nunca foi tão utilizado. Ou seja, faz todo o sentido colocar os dois personagens opostos em um restaurante para serem flagrados confraternizando e até ir mais longe, envolvendo um deles na divulgação direta do encontro como se fosse algo normal.

Outra coisa que pouco importa é se o encontro, a foto, a publicação e o lançamento do curso estão conectados, ou não. A questão é que todos são fatos perfeitamente conectáveis, logo tiveram consequência de alguma forma no alcance que o lançamento do curso teve. Apresentar um curso com professores renomados, em uma instituição com grande prestigio pode não ser suficiente em um tempo em que a visibilidade sofre concorrência de toda a sorte de acontecimentos ao redor do mundo. Uma boa polêmica pode ser a chave para destacar, frente aos inúmeros fatos que hoje nos bombardeiam nas mais diversas mídias, um curso que se pretende diferenciado.

Me frustraria saber que não passou de coincidência o tal jantar e sua publicidade. Prefiro acreditar que houve sim, um plano por traz de tudo, que a polêmica foi estudada e de certa forma conduzida para o objetivo de apresentar o curso de maneira destacada. Se não foi assim, tudo bem, mas ser ousado é muito mais efetivo que ser sortudo. Tenho certeza que os responsáveis pelo marketing da PUC sabem disso, logo acredito que minha teoria da conspiração mercadológica tenha fundamento neste caso.

 

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Um comentário sobre “Antimarketing, uma técnica em harmonia com a atualidade

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